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Economistas que apoiaram Lula na eleição do terceiro mandato criticam gestão das contas públicas

“deterioração explícita” das finanças públicas.

13/05/2024 14h53 Atualizada há 1 mês
Por: Gideone Rosa Fonte: Estadão
Foto: Divulgação digital
Foto: Divulgação digital

Da Redação / Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido alvo de críticas de atores do meio econômico, principalmente por conta da questão fiscal. Na semana passada, Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, presidente e diretor de investimentos da Verde Asset, lamentou ter confiado que o governo Lula trabalharia pelo equilíbrio das contas públicas. Um dia antes, o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, havia apontado, em entrevista ao Estadão, o que chamou de “deterioração explícita” das finanças públicas.

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Stuhlberger chegou a declarar publicamente em 2021, ano anterior à última eleição presidencial, que jamais votaria novamente em Jair Bolsonaro, criticando as ações do governo durante a pandemia de covid-19. Já Fraga declarou voto em Lula no segundo turno da eleição de 2022 em nome da defesa da democracia.

Mas outros nomes que declararam apoio ao petista na eleição passada, quando se consolidou um segundo turno entre ele e Bolsonaro, como Pedro Malan, Elena Landau, Henrique Meirelles e Persio Arida também já se mostraram decepcionados com a atuação do governo no campo da economia. Veja o que eles já falaram sobre o terceiro mandato do petista.

Luis Stuhlberger
“Eu me penitencio por ter acreditado que o PT teria alguma seriedade fiscal”, afirmou Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, durante encontro com investidores. Stuhlberger disse que percebeu que sua confiança no governo era um erro quando foi encaminhado o projeto orçamentário de 2025, que ele descreveu como uma “peça de ficção”.

Um dos principais investidores do País, Stuhlberger afirmou que todo o espaço para gastos permitido pelo arcabouço já está tomado nos orçamentos dos dois próximos anos, devido às novas despesas criadas pelo governo, e não há mais muito espaço para aumentar impostos - o que, para ele, indica que poderão surgir manobras de contabilidade criativa para que despesas sejam pagas fora do orçamento.

Ele ainda avaliou que os efeitos positivos de reformas realizadas pelos governos de Temer e Bolsonaro, que resultaram em “maior potencial de crescimento” do Brasil, estão sendo “estragados pelo PT”.

Armínio Fraga
Ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Gávea Investimentos, Armínio Fraga afirmou ter ficado surpreso com o fato de a agência de classificação de risco Moody’s ter elevado a perspectiva da nota de crédito do País de estável para positiva. Para ele, pelo lado fiscal, o Brasil deveria ter sido rebaixado, por conta do descuido no controle das contas públicas.

“Temos uma deterioração explícita, mas já muito bem percebida, no campo das finanças públicas”, afirmou em entrevista ao Estadão. Fraga se juntou a outros economistas ligados ao Plano Real como ele, Pedro Malan, Persio Arida e Edmar Bacha, para declarar apoio a Lula no segundo turno, em 2022.

Fraga apontou que o Congresso tem tido “muito poder e pouca responsabilidade” com a questão fiscal e disse temer que uma piora na economia gere uma guinada política à extrema-direita em 2026, o que ele diz que “seria uma desgraça”. Para ele, não é possível enxergar uma trajetória de progresso na área fiscal até agora. Ele aponta que foi um dos primeiros a apoiar publicamente o arcabouço apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “mas não está dando certo”.

Pedro Malan
Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda no governo Fernando Henrique Cardoso, também participou da articulação dos economistas ligados ao Plano Real para apoiar Lula no segundo turno em 2022. Em artigo publicado no Estadão em fevereiro, em que analisa os primeiros 400 dias do governo Lula 3, Malan diz, porém, que o pensamento predominante continua sendo o mesmo de 15 anos atrás.

Para ele, o Estado se sobrecarregou de obrigações e é preciso ter claras definições de prioridades, pois, “ao dispersar demais suas atividades, o Estado fica mais suscetível a ceder a interesses isolados, a persistir em promessas que não pode cumprir”. “Principalmente quando receitas não recorrentes são utilizadas para financiar gastos que se tornam permanentes – e crescentes –, como vimos em experiências recentes”, escreveu.

Malan ainda destacou que, apesar dos esforços do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inclusive contra o fogo amigo de integrantes do governo e de seu partido, “falta um sistema de regras de responsabilidade fiscal que represente compromisso firme em assegurar a sustentabilidade da trajetória de finanças públicas do País”. E, segundo o economista, isso pode impedir o desenvolvimento econômico e social sustentado no longo prazo.

Elena Landau
A economista Elena Landau, coordenadora econômica do programa de campanha à presidência da atual ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que votaria no segundo turno em 2022 “contra a reeleição” de Jair Bolsonaro. Ela também já fez duras críticas ao governo Lula 3.

Em coluna do Estadão de novembro de 2023, por exemplo, ao comentar a fala de Lula de que “dificilmente chegaremos ao déficit zero”, sobre a meta de 2024, Elena afirmou que Lula jogou fora a boa vontade que o mercado vinha tendo com seu governo (que vinha mais pelo que ele prometeu). Também criticou o que chamou de “cartilha petista”, na qual, segundo ela, é a política monetária que atrapalha a meta fiscal.

“Para eles, a lógica econômica é invertida. Primeiro, vêm as despesas; depois, se corre atrás das receitas. E elas não estão vindo como Haddad previa ou gostaria”, afirma. Entre outras coisas, a economista ainda diz que as estatais voltaram a operar politicamente e conselhos são usados para aumentar salários dos amigos, além de afirmar que a política industrial continua baseada em incentivos questionáveis, enquanto a economia se mantém como a mais fechada do mundo.

Fonte: Estadão/MSN

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