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Verba pública paga show de Daniela Mercury em 1º de Maio pró-Lula

Artistas receberam um total de R$ 187 mil pela realização de shows

05/05/2022 às 10h27
Por: Gideone Rosa Fonte: Estadão / JN
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© Fornecido por Estadão O ex-presidente Lula durante ato do 1º de Maio em São Paulo / Foto: Taba Benenedicto/Estadão
© Fornecido por Estadão O ex-presidente Lula durante ato do 1º de Maio em São Paulo / Foto: Taba Benenedicto/Estadão

Por Gustavo Queiroz, Adriana Ferraz e Beatriz Bulla

A cantora Daniela Mercury e ao menos outros quatro artistas receberam um total de R$ 187 mil pela realização de shows em evento organizado pelas centrais sindicais no dia 1º de Maio, na Praça Charles Miller, no Pacaembu, em São Paulo. Os shows fizeram parte das celebrações do Dia do Trabalhador, que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT ao Planalto, e aliados.

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Segundo informações do Diário Oficial do município, os cachês e os custos de produção foram pagos com recursos públicos por meio de emendas parlamentares de vereadores do PT e do Solidariedade, partido que declarou apoio a Lula. Além de Daniela, também participaram do evento os artistas Arnaldo Alves da Silva, Mateo Piraces, Rapper Dexter e DJ KL Jay.

Esvaziado, o ato das centrais sindicais no último domingo se tornou uma agenda da pré-campanha do petista. Os participantes pediram voto em Lula, que, no discursou para o pequeno público, fez ataques ao presidente Jair Bolsonaro, seu principal adversário na corrida eleitoral segundo as pesquisas de intenção de voto.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, afirmou que a emenda que viabilizou os shows partiu do vereador Sidney Cruz (Solidariedade), no montante de R$ 360 mil – dos quais foram utilizados R$ 187 mil.

A Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo abriu, de ofício, uma sindicância para investigar a contratação dos shows, com base em informações publicadas na imprensa. A repercussão do episódio causou desconforto ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). “Por ser um evento pago com recursos públicos não podem fazer promoção político partidário”, disse Nunes ao Estadão.

De acordo com a Secretaria, o evento do 1º de Maio é realizado anualmente pelas centrais sindicais, que foram responsáveis pela infraestrutura, curadoria e conteúdo exposto durante o evento. “A emenda parlamentar é um direito do vereador, que tem total autonomia para indicar onde os recursos devem ser aplicados. A Prefeitura, portanto, não tem qualquer ingerência sobre esse mecanismo legal”, afirmou em nota.

Também por meio de nota, lideranças de sete centrais sindicais – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Pública Central do Servidor – afirmaram que as apresentações artísticas aconteceram após encerrado o ato político, e que “o uso das emendas parlamentares para a realização de festas populares é respaldado pela lei orçamentária do município”.

A produtora que administra a carreira de Daniela Mercury disse que sua contratação foi feita pela MGioria Comunicações e que a artista não recebeu recurso da Prefeitura. ”O valor do cachê foi quitado integralmente pela MGioria. A produtora da artista esclarece que não recebeu nem receberá nenhum recurso da Prefeitura. A produtora Mgiora foi contratada pelas centrais sindicais para produzir a parte cultural do ato do 1º de Maio”, disse.

No Diário Oficial do município, porém, a produtora Califórnia Produções e Edições Artísticas, da qual Daniela é sócia, foi indicada como contratada. O documento informa que o valor será pago 30 dias após a data de entrega da documentação referente ao serviço.

O vereador Alfredinho afirmou que a bancada do PT entrou com emendas exclusivas para a contratação de infraestrutura do evento, não relacionadas aos artistas. Segundo ele, o valor liberado foi de cerca de R$ 500 mil. Emendas do vereador Eduardo Suplicy (PT) também destinaram recursos para contribuir com a estrutura do evento, segundo a Prefeitura.

O vereador Sidney Cruz, do Solidariedade, afirmou que as edições anteriores do evento, “na maioria das vezes foi realizado através de emendas parlamentares”. Cruz encaminhou a emenda parlamentar no dia 28 de abril. Segundo ele, caso “tenha havido algum desvio de finalidade no uso deste valor que encaminhei para o evento (Festa do Trabalhador), peço a devida apuração e que sejam tomadas as medidas cabíveis”.

Fonte: O Estadão

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