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Geral Retaliação

Em retaliação por rompimento, Bolsonaro bloqueia R$ 70 milhões em emendas de Delegado Waldir

Relação entre o goiano e o titular do Palácio do Planalto foi implodida no ano de 2019 em meio a um racha no PSL, à época legenda de Bolsonaro

27/04/2022 às 08h07
Por: Gideone Rosa Fonte: Opção/JN
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Presidente Jair Bolsonaro e deputado delegado Waldir: ex-aliados | Foto: Reprodução
Presidente Jair Bolsonaro e deputado delegado Waldir: ex-aliados | Foto: Reprodução

Por Giselle Vanessa Carvalho 

Quase três anos depois, o deputado federal e pré-candidato ao Senado Delegado Waldir (UB) ainda sente os efeitos do rompimento com o presidente Jair Bolsonaro (PL). Ex-líder do PSL [atual União Brasil] na Câmara dos Deputados, a relação entre o goiano e o titular do Palácio do Planalto foi implodida no ano de 2019 em meio a um racha no PSL, à época legenda de Bolsonaro. Em retaliação, cerca de R$ 70 milhões em emendas parlamentares estão bloqueados, de acordo com Waldir, por ordem dos também deputados federais Major Vítor Hugo (PL), pré-candidato de Bolsonaro ao governo de Goiás, e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente.

“Uma pena que o governo federal tenha uma discurso e na prática use retaliações em razão de uma questão política para prejudicar o povo de Goiás. Fico muito triste com isso”, afirma o delegado. A fatia dos recursos do orçamento público federal que cabe à Waldir seria direcionada a equipamentos de cozinha e de tecnologia para escolas municipais de Goiás, além de aparelhos de hemodiálise, sistema de monitoramento por câmeras, com foco no Entorno do Distrito Federal, uma das regiões mais violentas do país, e, entre outros, para a estruturação de Conselhos Tutelares. O acesso aos R$ 70 milhões em benefícios já foi tratado, segundo ele, com o presidente da Câmara Federal, o deputado Arthur Lira (PP-AL), e com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), mas assim assim os recursos seguem inacessíveis.

“Já estive várias vezes com o Arthur Lira. Estive também com o Ciro Nogueira. Tentei articulações com alguns prefeitos para tentar superar essa questão, que prejudica só o povo de Goiás”, conta. Agora, Waldir tenta reverter a situação junto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também filho do presidente; ao próprio Eduardo e ao goiano Vítor Hugo. “Houve uma proibição das distribuições das nossas emendas, lá atrás, pelo major Vítor Hugo e Eduardo Bolsonaro, quando a gente teve aquele desentendimento com o presidente. Estou tentando superar isso usando o próprio Vítor Hugo, que tem bom relação com o governo, para liberar esses recursos que beneficiariam todas as escolas municipais com equipamentos de cozinha e tecnologia”, explica.

Ao todo, segundo Delegado Waldir, ele indicou a chegada de kits, compostos por itens de cozinha e de tecnologia, a 1.755 escolas de Goiás. No entanto, apenas algumas receberam. “Estamos tentando avançar para que a gente consiga trazer esses recursos para o povo mais carente de Goiás. Uma pena que em vez de pensar no povo se faz política rasteira”, acrescenta. Para Waldir, a manutenção do bloqueio afeta os goianos em áreas essenciais como saúde, educação e segurança. “O governo federal, que é mais Brasil e menos Brasília, bloqueia as emendas quer seriam para o povo de Goiás, o povo mais pobre, para as prefeituras. Fico triste porque os recursos foram bloqueados mesmo eu tendo direito. Por isso, esses recursos, as emendas, não chegam às pessoas mais pobres, à saúde, à educação, à segurança”, diz.

Antes aliados, Waldir e Bolsonaro racharam em outubro de 2019 após vazamentos de áudios, listas e intrigas que, entre outros fatos, envolviam a saída do delegado da liderança do PSL na Câmara dos Deputados e um áudio em que o goiano dizia que iria “implodir” o presidente e se referia a ele como “vagabundo”. Era mais um episódio de uma crise que tinha começado cerca de 10 dias antes, como efeito de Bolsonaro ter dito para um apoiador “esquecer” o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar (hoje pré-candidato a presidência pelo União Brasil), porque ele estaria “queimado pra caramba”, um dia depois de ele exigido de Bivar, por telefone, o comando do partido sob ameaça de sair do partido. Bivar não cedeu ao ultimato.

No dia seguinte, aliados de Bolsonaro apresentaram na Câmara duas listas com 26 e 24 assinaturas destituindo Waldir. A ideia era que Eduardo Bolsonaro fosse líder do partido na Casa. À época, a conversa de bastidores era a de que o próprio Bolsonaro teria entrado em campo para atrair votos para o filho “e tirar o líder”, segundo mostrou áudio publicado pelo jornal O Globo. Waldir, no entanto, conseguiu reverter a situação e apresentou uma lista, menos de meia hora depois, com 29 nomes. Mas isso não apaziguou os ânimos. Em meio a crise, o deputado Daniel Silveira (PTB-RRJ) vazou o áudio de Waldir. “Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Não tem conversa. Eu implodo ele. Eu sou o cara mais fiel. Acabou, cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu votei nessa p*, eu andei no sol em 246 cidades para defender o nome desse vagabundo”, disse, na ocasião.

 

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