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CAPITÃO SERAFIM JOSÉ DE BARROS

13/01/2022 às 07h05
Por: Gideone Rosa Fonte: DC Mello/JN
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Serafim de Barros mantinha em seu poder 35 escravos, quando a Lei Áurea foi editada. Todos os serviçais continuaram ali, como se nada tivesse acontecido.
Serafim de Barros mantinha em seu poder 35 escravos, quando a Lei Áurea foi editada. Todos os serviçais continuaram ali, como se nada tivesse acontecido.

LATIFUNDIÁRIO, SUA GRANDE JOGADA FOI SER LÍDER POLÍTICO.

“Nasci na cidade de Ouro Preto, Capital do Estado de Minas Gerais. Sou filho legítimo de José Rufino de Barros e de Dª. Joana Umbelina de Jesus. Pertenço às irmandades de São Francisco e de Nossa Senhora das Dores. Fui casado com Dª. Prudenciana Vilella. Esta faleceu sem que de nosso casamento tivéssemos filho algum, sou, portanto, viúvo e não tenho herdeiros ascendentes, nem descendentes.”

 O boiadeiro Serafim José de Barros apareceu por aqui em busca de gado para comprar. Além de bovinos, adquiriu o esqueleto do Casarão do Museu e terminou a construção. Para os acabamentos da obra, Serafim trouxe de Ouro Preto-MG, vidros e ferro batido para a sacada do prédio, além do sino da Igreja Matriz, Igreja da qual era procurador a fim de colher doações entre os fiéis.

Serafim de Barros nasceu em sete de janeiro de 1823 e faleceu em sua Fazenda São Pedro, em 19 de abril de 1899. Era Capitão da Guarda Nacional. Casou-se com Prudenciana Maria Vilella, filha de José Manoel Vilella, ela com 15 anos e ele, 35. Sem filhos no casamento, no entanto era pai de Romualda Balbina. Essa, embora sendo filha natural com uma escrava, Romualda era uma das pessoas cultas de Jataí. O outro filho foi Antônio José de Barros, com mãe mestiça de Poconé-MT. 

O autor carioca, Oscar Leal, autor de Viagem às Terras Goyanas, viajando por Goiás, vindo dos lados de Caiapônia, chegou ao município de Jataí, parando na fazenda São Pedro, que não nos deixou continuar a viagem debaixo de chuva neste dia. Era final do ano de 1885. Esta fazenda é a mais importante que conheci em todo o Estado de Goiás. O comendador Serafim de Barros é mineiro, muitíssimo laborioso, alegre, pronto para servir, e um amigo em quem nós devemos confiar. Serafim de Barros mantinha em seu poder 35 escravos, quando a Lei Áurea foi editada. Todos os serviçais continuaram ali, como se nada tivesse acontecido. Ao assinar seu testamento, em 20 de julho de 1897, ficou determinado: É meu desejo que, no dia do enterro do meu cadáver, reze-se uma missa por minha alma. O meu testamenteiro mandará colocar sobre minha sepultura um jazigo ou túmulo de pedra, contanto que tenha uma cruz, sinal da religião em que fui criado, sempre vivi e desejo morrer.

O Comendador Serafim José de Barros, Juiz de Paz em 1879, era um cidadão que soube trabalhar seu patrimônio, tornando-se uma das grandes fortunas da época, não porque tinha como aliado o seu sogro, José Manoel Vilella, mas, sobretudo porque se sobrepôs às dificuldades naturais do seu tempo, conseguindo respeitabilidade no seu meio. Além disso, desfrutava de boa relação de amizades e de negócios na comunidade.

A fazenda São Pedro pode ser considerada a página mais importante na vida de Serafim de Barros. No ano de 1860 houve a primeira compra de parte dessa fazenda, onde o velho boiadeiro se instalou definitivamente. Mais tarde, em 1874, comprou outro pedaço. Em seguida em 1877, comprou outra denominada Bebedouro.

Com a morte de Serafim em 1899, a parte principal da São Pedro ficou com o seu genro João José Carneiro que a recebeu como credor do sogro. João José ficou com aquela propriedade por quase oito anos, porque em 1908, parte dela foi vendida a Joaquim Thiago de Carvalho por 10 contos de réis. A escritura não citou a área da fazenda, coisa normal na época.

O Padre Brom celebrou missa com participação da banda de música de Rio Verde. Grande parte dessa documentação está em poder do Cartório local de Família e Sucessões. Eis algumas particularidades do inventário:

Bens móveis: cinco espingardas de dois canos, duas de um cano, duas carabinas (uma delas de 26 tiros - Winchester).

Dinheiro: seis sacos contendo seis contos de réis em moedas de prata. 36 notas (promissórias) a receber.

Bovinos: 1.956 reses. Nesse meio havia 60 bois carreiros.

Equinos: 10 burros para carga, 12 mulas de sela, 70 cavalos de custeio, 40 éguas solteiras e 40 paridas.

Imóveis na cidade: casa na esquina da Rua José Manoel Vilella com a Praça Prof. Maromba, em frente à Casa da Escola; sobrado (Museu Histórico); uma pequena casa ao lado do sobrado; uma casa de frente com o sobrado que pertenceu a José Manoel Vilella Júnior.

Imóveis rurais: fazenda São Pedro, seis partes da fazenda São Tomé, uma na fazenda das Pedras, sete na Jatobá, uma na Onça e uma na fazenda Areia.

A sede da fazenda São Pedro, a menina dos olhos de Serafim de Barros (já demolida), era um casarão muito grande. Era chamado de sobrado porque a parte inferior do prédio servia de alojamento aos escravos. Para aquela época, a fazenda era bem equipada. Muita coisa não apareceu no inventário, como: talheres e outras peças de prata, conjuntos de louça desenhados, jóias, revólveres, tear, um relógio montado num móvel de mais de metro de altura, uma máquina de costura Singer, suínos. Essas informações foram reveladas por uma neta de Serafim (minha avó). Com segurança pode-se afirmar que esses bens e outros foram omitidos porque naqueles tempos até chinelo usado fazia parte de patrimônio a inventário. É o que se vê nos processos antigos.

Serafim de Barros teve outros episódios dignos de ser comentados: Antes da instalação da Câmara de Vereadores de Jataí, Serafim era presidente do Legislativo de Dores do Rio Verde. Nessa condição, recebeu do Governo da Província a  incumbência de instalar a Câmara e dar posse aos vereadores de Caiapônia (janeiro de 1874). Outro fato que marcou a biografia desse cidadão foi tornar-se braço direito da Província nas providências para a manutenção do batalhão goiano no interior de Mato Grosso, quando da Guerra do Paraguai.

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