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Geral Bacia leiteira

Gordura protegida: uma estratégia nutricional para o verão

Dentro do sistema de produção leiteira, o estresse térmico tem um grande impacto, responsável por causar perdas econômicas.

03/12/2021 às 08h22
Por: Gideone Rosa
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Por Nathaly Carpinelli - Coordenadora técnica da Nutricorp 

Os animais homeotérmicos, como as vacas leiteiras, possuem uma zona de conforto térmico ou zona de termoneutralidade, que varia de 5 a 29 °C. Esta faixa de temperatura é considerada ótima para a produtividade dos animais, sendo que acima dessa temperatura as vacas entram em estresse térmico pelo calor e abaixo pelo frio. Se a vaca sair da sua zona de termoneutralidade, o sistema termorregulador do animal é acionado, com objetivo de capturar (estresse pelo frio) ou dissipar (estresse pelo calor) calor. 

No Brasil, o estresse térmico causado pelo calor é muito comum durante o verão, pois na maioria dos estados brasileiros as temperaturas excedem os 29ºC. Dentro do sistema de produção leiteira, o estresse térmico tem um grande impacto, responsável por causar perdas econômicas. Durante situações de estresse térmico, os animais tendem a reduzir o consumo de matéria seca , impactando negativamente na produção de leite, reprodução e sistema imunológico do animal (Bagath et al., 2019). 

Sendo assim, os animais possuem mecanismos para que o organismo retome e/ou mantenha-se em sua zona de termotolerância tais como aumento na frequência respiratória, maior tempo em pé e maior consumo de água. 

Atualmente a implementação de práticas de manejo e novas tecnologias, permitem com que o produtor identifique com maior precisão as vacas sob condições de estresse térmico. Por isso, os sistemas de produção de leite estão se atentando mais aos impactos do estresse térmico, buscando promover ambientes adequados para os animais, utilizando climatização, ventiladores, sombrites, aspersores, protocolos de resfriamento, densidade animal correta, entre outros. Mas, além das instalações, algumas estratégias nutricionais também podem ser utilizadas para amenizar os efeitos do estresse térmico em vacas leiteiras, reduzindo a produção de calor interno (fermentação ruminal), por exemplo, a inclusão de lipídeos na dieta. A suplementação lipídica é uma estratégia para promover o adensamento energético na dieta de vacas leiteiras, fornecendo ácidos graxos essenciais, aumentando a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e a palatabilidade da dieta. Além disso, promovem um menor incremento calórico ruminal (não fermentado no rúmen). Esse tipo de suplemento pode ser adicionado na dieta de várias categorias animais, desde que acompanhada pelo nutricionista da fazenda, servindo como uma alternativa para períodos de baixo consumo de matéria seca por exemplo durante períodos quentes como no verão. Os lipídios são uma ótima estratégia para os ruminantes, no entanto, é necessário se atentar ao modo que é fornecido para os animais. 

Os lipídios podem exercer efeitos deletérios a fermentação ruminal (toxicidade aos microrganismos ruminais; redução na digestibilidade de forragem; biohidrogenação dos ácidos graxos, desta forma, a suplementação lipídica by-pass através dos sais cálcicos de ácidos graxos (protegido da degradação ruminal), reduzem os efeitos deletérios na fermentação ruminal. A maioria dos sais cálcicos de ácidos graxos disponíveis no mercado normalmente apresentam altas concentrações de ácidos graxos de cadeia longa que são advindos principalmente de fontes vegetais, podendo apresentar cadeia saturada ou insaturada. Nessas fontes, os ácidos graxos mais observados incluem o ácido palmítico (C16:0), esteárico (C18:0), oleico (C18:1) e linoleico (C18:2n-6). 

Como citado acima, os sais cálcicos de ácidos graxos podem ser utilizados como uma estratégia de suplementação para o verão, pois apresenta as seguintes vantagens: 

• Efeito bypass pelo rúmen: a suplementação com óleos não protegidos, pode ocasionar excesso de lipídeos no rúmen, causando efeitos tóxicos aos microrganismos ruminais, resultando em implicações negativas na produção de gordura no leite. O efeito bypass é muito importante, pois os lipídios protegidos escapam do processo de fermentação ruminal, reduzem o processo de biohidrogenação e toxicidade, garantindo que o perfil de ácidos graxos que chega ao intestino delgado seja o mesmo presente na dieta.

• Adensamento energético seguro: quando comparada com carboidratos e proteínas, os lipídios são a fonte de energia que gera o menor incremento calórico, em outras palavras, menos calor durante o metabolismo energético. Sendo assim, os lipídios podem ser uma estratégia para substituir parcialmente os carboidratos da dieta. 

Em bovinos leiteiros, os sais de cálcio de ácidos graxos de palma são os mais utilizados como forma de suplementação, por apresentarem efeitos positivos na produtividade nos animais. Em um estudo recente, dos Santos Neto et al. (2021) realizou uma meta-análise avaliando os efeitos destes sais de cálcio de ácidos graxos de palma na digestibilidade dos nutrientes e respostas produtivas de vacas leiteiras em lactação. A inclusão dos sais nos níveis <3% da matéria seca, demonstraram que a suplementação com sais de cálcio de ácidos graxos de palma aumentou a digestibilidade da fibra em detergente neutro, e tendeu a aumentar a digestibilidade de ácidos graxos. Nos aspectos produtivos, a suplementação aumentou a produção de leite, gordura no leite e produção de leite corrigida para 3,5% e eficiência alimentar. 

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