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Desmonte do Inep aprofunda sequelas da desigualdade, avaliam especialistas

"Atacar o Inep é como matar o mensageiro quando se lida com o pífio desempenho na execução dos projetos educacionais"

19/11/2021 às 09h16
Por: Gideone Rosa Fonte: Compliance/JN
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"A educação de qualidade já é para poucos, o que expressa elitismo, mas nenhuma educação para tantos já é descaso"

Desafio é a execução dos projetos educacionais alinhados à evolução tecnológica e a correta destinação dos recursos do setor, que devem priorizar o ensino profissionalizante para retomada socioeconômica

O pedido de demissão em massa de 37 servidores expôs a crise do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja edição deste ano ficou marcada pela suspeita de intervenção no conteúdo da prova, e a declaração de Jair Bolsonaro sobre finalmente o Enem ganhar "a cara" de seu governo. O que estes fatos colocam em jogo, porém, é o futuro do mercado de trabalho. É o que avaliam especialistas frente à evolução tecnológica que impõe constantes desafios para empregos e profissões.

Primeiramente, é um retrocesso o desmonte de um instituto que é responsável por subsidiar a formulação de políticas educacionais das diferentes esferas do poder público com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. "Atacar o Inep é como matar o mensageiro quando se lida com o pífio desempenho na execução dos projetos educacionais diante dos desafios de crescimento", explica Ricardo de Jesus, especialista em Gestão, mestrando pela EAESP-FGV e sócio da MRD Consulting.

No que diz respeito ao acesso ao sistema de ensino, este Enem escancara as desigualdades não só geográficas como sociais, reforçadas por uma gestão pública excludente. "A educação de qualidade já é para poucos, o que expressa elitismo, mas nenhuma educação para tantos já é descaso", diz o professor Francisco Borges, mestre em Educação e consultor da Fundação FAT em Gestão e Políticas Públicas.

Ele avalia ainda que novas camadas de desigualdade devem se sobressair por conta da pandemia e da falta de segurança alimentar, do acesso à internet e às aulas. Ou seja, os vulneráveis terão menos chances de conseguir vagas em universidades, e como consequência, menos chance de emprego e renda. "Não foi levada em conta a aplicação do projeto para ajudar esses jovens periféricos a estudar de maneira remota, síncrona e assíncrona conciliando trabalho e estudos", observa.

O professor César da Silva, presidente da Fundação FAT, especialista em análise de cenários de mercado e estrutura de Carreiras, vai além. Na sua opinião, o quadro só será amenizado com investimento no ensino básico, bem como na Educação de Jovens e Adultos e na formação de técnicos profissionalizantes. "É preciso acelerar a aprovação de novos cursos diante da necessidade de inserção desses milhões de brasileiros no mercado de trabalho. Deveria ser prioridade para transformação dessa desigualdade avassaladora e para promoção do desenvolvimento socioeconômico", afirma. "A educação profissional é a porta de retomada da economia brasileira."

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