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Geral Vacinação

99,2% de vacinados em São Paulo:

uma derrota para o negacionismo

18/08/2021 às 09h47
Por: Gideone Rosa Fonte: Mackenzie/JN
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Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Por Rodrigo Augusto Prando

A cidade de São Paulo apresenta um número assaz expressivo com 99,2% de sua população com mais de 18 anos vacinada. Em ação de política pública - termo em desuso no Brasil dos dias que correm - a prefeitura promoveu a Virada da Vacina, imunizando cerca de 500 mil pessoas em 34 horas.

No plano geral, se São Paulo fosse um país (o PIB da cidade a credenciaria a esta posição) creio que seria um dos que apresentariam o maior índice de vacinação do mundo. Dados de 23 de julho desse ano, do portal IG (saúde.ig.com.br), traz os países com os que tem a primeira dose da vacina, na seguinte ordem: Emirados Árabes Unidos (82%), Uruguai (75%), Chile (74%), Espanha (74%). Reino Unido (70%), França (68%) e Israel (68%), para ficarmos nos sete primeiros colocados. Ou seja, com 99,2%, a capital paulista seria o país do mundo mais vacinado. Uma vitória da vida contra a doença. Uma vitória da boa gestão contra a incompetência. Uma vitória da ciência contra o negacionismo.

Já no plano mais específico, em sua dimensão política, esse percentual de imunizados de São Paulo é uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro e sua luta inicial contra a vacina, conjugando negacionismo, fake news e teorias da conspiração. Bolsonaro e sua tropa de bolsonaristas não mediram esforços, nas redes, nas ruas e nas decisões políticas para atacar o governador de São Paulo, João Doria, bem como a vacina Coronavac, fruto da parceria do Butantan com o laboratório chinês Sinovac. A lista de ataques do bolsonarismo à Coronavac e a Doria é extensa e amplamente registrada nas redes sociais, na mídia e nos documentos em posse da CPI do Senado. Muitos, alicerçados sobre o senso comum, diziam que havia uma contenda entre Doria e Bolsonaro, cujos ganhos políticos de cada um estavam em primeiro lugar.

Uma guerra, sem dúvida havia, e ainda existe. Todavia, acusar um político de querer ganhos, por exemplo, eleitorais com suas ações é de uma simplicidade que beira a estultice. Políticos são sempre, em eleições, julgados pelos resultados de seus governos, pelos erros e acertos. E aqui, fica evidente pelos dados e resultados até o momento que o Governo Federal, com Bolsonaro a frente, errou, e o Governo Estadual, com Doria, acertou.

Qual o fundamento de tal afirmação? A comparação das decisões políticas e do número de infectados, internados com gravidade e de mortes que cada uma das ações dos políticos acarretou. Obviamente, as vacinas no estado de São Paulo são, além da Coronavac, as que são compradas e distribuídas pelo Ministério da Saúde. Tal fato, no entanto, não se apresenta como benevolência do Governo Federal e sim um direito do cidadão e cumprimento do pacto federativo. Ademais, o Ministério da Saúde, reativo e não proativo, agilizou a compra da vacina no mercado internacional quando Doria, em 17 de janeiro, apresentou a primeira vacinada do país, a enfermeira Mônica Calazans, com a dose da Coronavac

Politicamente, Bolsonaro e o bolsonarismo perderam espaço em sua narrativa negacionista e, segundo indícios oriundos da CPI, há também complicações por suspeitas de corrupção nas negociações das vacinas pelo Ministério da Saúde. Ainda no campo político, mas na singularidade do município, o Prefeito Ricardo Nunes (que assumiu após a morte de Bruno Covas) ganha capital político, especialmente pelo sucesso da competente logística da Virada da Vacina. População vacinada é população protegida e, com isso, esperança de superação das adversidades cruéis da pandemia; da retomada econômica; da sociabilidade no trabalho, nas escolas, nas universidades e no lazer.

A cidade de São Paulo dá um recado - para o Brasil e para o mundo - de que o negacionismo no bojo da situação pandêmica não terá espaço e vez. Ganham a população, em primeiro lugar, e o governador e o prefeito; perde a narrativa bolsonarista.

O autor

Rodrigo Augusto Prando é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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