Esporte

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Governo de Goiás investe R$ 15 milhões em centro de excelência em agricultura exponencial

Ceagre será implantado no Parque
Tecnológico de Rio Verde.
Foto: IF Goiano


Unidade em Rio Verde deve receber outros R$ 35 milhões de outras instâncias do setor público e privado

Goiás se prepara para receber o segundo centro de excelência do Estado, o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre), que será instalado no Polo de Inovação do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), em Rio Verde. A proposta é fortalecer a vocação agrícola do Estado por meio de projetos de pesquisa aplicada capazes de levar tecnologias exponenciais ao campo e agregar valor aos produtos. A meta do Ceagre é tornar-se uma referência na promoção do empreendedorismo agropecuário e apresentar soluções inovadoras e precisas para a eficiência, desempenho e competitividade do agronegócio. As atividades do Ceagre tiveram início em março.

A iniciativa partiu do Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), e do Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde, que vão contar com a parceria da Prefeitura de Rio Verde, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia) lançado no ano passado pelo Governo de Goiás, por meio da Fapeg e Secretaria de Desenvolvimento e Inovação (Sedi) e o Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás. O Ceia e o Ceagre vão desenvolver projetos de pesquisa em conjunto.

Segundo o presidente da Fapeg, Robson Vieira, “a Fundação está entrando para potencializar a infraestrutura do parque tecnológico do IF Goiano de Rio Verde, primeira unidade Embrapii em Goiás”. Além da infraestrutura de pesquisa com laboratórios, salas e equipamentos já instalada e do quadro de profissionais existente no parque científico e tecnológico do IF Goiano, o Ceagre contará com um prédio que está sendo construído no centro da cidade de Rio Verde para o funcionamento do hub de negócios, uma espécie de vitrine para os negócios e onde acontecerão os shows cases para demonstrar os conceitos e tecnologias aplicados à agropecuária. As obras estão aceleradas com o apoio da Prefeitura de Rio Verde, que cedeu a área. Além destas duas estruturas, o Ceagre vai dispor de uma área de 400 mil hectares conectados (fazenda) que funcionará como um grande laboratório a céu aberto, onde serão validadas as tecnologias exponenciais desenvolvidas.

Investimento

Ao longo de cinco anos, o Governo de Goiás vai liberar um total de R$ 15 milhões para fomentar a realização dos projetos, destes, R$ 9 milhões, serão aportados para o fomento inicial de 100 bolsas de pesquisa nas mais diversas modalidades: mestrado, doutorado, técnico, graduação, pós-doc, de iniciação científica, pesquisador visitante, entre outras. “Queremos formar um novo agrônomo, um novo técnico na área de economia que domine as tecnologias exponenciais e não seja apenas um profissional que saiba trabalhar no campo”, disse Vieira.

O acordo prevê ainda a captação de outros R$ 35 milhões provenientes de outras instâncias do setor público e privado, totalizando um investimento de R$ 50 milhões.

O projeto contará com a participação de pesquisadores especialistas em redes, sensores, automação durante os cinco anos de operação. Nesse contexto de Big Data, algoritmos, conectividade 4G/5G e LoRa para logística e rastreabilidade, drones, tratores e outros dispositivos autônomos, biotecnologia, Internet das Coisas e Inteligência Artificial, o Ceagre estará preparado para fazer a transformação digital no campo. O Centro terá, também, a preocupação em desenvolver soluções de baixo custo que possam ser incorporadas no dia a dia de pequenos e médios produtores rurais visando aumentar a competitividade, maximizar a produtividade, aumentar a qualidade, reduzir gastos e riscos.

Desenvolvimento

O Ceagre executará, ainda, projetos estratégicos em alinhamento com a política pública do setor agropecuário desenvolvendo soluções que impactem o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do estado de Goiás. Um grupo de pesquisa aplicada e inovação vai atuar nas demandas apresentadas pelo governo para o setor agrícola (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Emater, Agrodefesa e Ceasa), promovendo treinamentos, aplicação de Big Data do agro, fazendo monitoramento em tempo real dos principais indicadores agroeconômicos, na transferência de tecnologia para o pequeno e médio produtor e outras demandas que possam ocorrer.

Uma outra equipe de pesquisa aplicada e inovação em Gestão de Safras e Pecuária do Ceagre vai atuar em gestão de fertilização e nutrição vegetal; gestão de correção de solo e plantio direto; gestão de colheitas e irrigação inteligente; previsão de doenças e infestação de insetos; aplicação inteligente de insumos; agricultura vertical; e previsões meteorológicas; e também na área de zootecnia.

O diretor-geral do Centro, Vicente Pereira, destacou que “o grande diferencial do projeto do Ceagre é que ele já nasce com a chancela de uma unidade Embrapii –  Unidade de Tecnologias Agroindustriais, concedida ao polo do IF Goiano de Rio Verde”. “O Ceagre nasce em Rio Verde, mas não é um projeto só do sudoeste goiano. É um projeto para o Estado de Goiás e vai contemplar todas as regiões. A tecnologia e pesquisas desenvolvidas lá podem ser levadas para o norte ou nordeste goiano,” diz Vicente Pereira, ressaltando a capilaridade do IF Goiano, que está presente em 14 cidades do Estado.

       Negócios

O diretor científico do Ceagre, Tavvs Alves, explica que o Centro vai gerar negócios e P&D focados em inovação, gerar soluções tecnológicas de alto valor agregado e deve aumentar o número de startups de agro em Goiás. Startups com possíveis ideias para desenvolver projetos de inovação no setor agropecuário já podem procurar a coordenação do centro pelo e-mail:  vicente.almeida@ifgoiano.edu.br.

Para Tavvs Alves, a efetiva adoção de tecnologias digitais pelos agricultores pode fornecer estimativas precisas do estresse em plantas causado por insetos, doenças, nematoides, nutrientes, competição com plantas daninhas e deficiência hídrica que apenas computadores podem revelar. Segundo ele, dias de campo e treinamentos que poderiam ser ministrados pela Emater, por exemplo, e aplicativos para celulares, cursos profissionalizantes e videoaula para educação a distância facilitarão o acesso a novas tecnologias pelo produtor rural de pequeno e médio porte. 

“Os estudantes dos níveis técnico, graduação e pós-graduação serão treinados para executar e coordenar atividades de pesquisa aplicada com parcerias entre instituições de ensino públicas e empresas públicas e privadas. As linhas de pesquisa estruturadas por essa proposta facilitarão o acesso a ferramentas computacionais, arquitetura analítica compartilhada e produtos inovadores para agricultura que integrem funcionalidade (fácil utilização por usuários), desempenho (sem necessidade de grandes investimentos para adquirir/usar a plataforma final colocada no mercado) e escalabilidade (mercado brasileiro e internacional)”, explica o diretor Tavvs Alves.

Parcerias

Para o reitor do IF Goiano, Elias de Pádua Monteiro, “o Ceagre será protagonista na jornada de integração entre a academia, governo e cadeia produtiva do agronegócio, fortalecendo as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação no nosso estado”. Segundo ele, o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial nasce com o compromisso de desenvolver tecnologias e aplicá-las no campo, otimizando a gestão de safras e a agropecuária do pequeno, médio e grande produtor e para toda a cadeia do agronegócio do estado. 

O reitor explica que serão realizados fóruns interinstitucionais anuais com foco na solução de problemas que serão convertidos em projetos que explorem as potencialidades do ecossistema do agro, principalmente para atender regiões mais carentes do estado. “Tais projetos serão previamente definidos em consonância com a sociedade (agricultores) e empresas agritech”. O novo centro de excelência vai gerar impactos positivos para o IF Goiano, pois vai potencializar a geração de conhecimento e inovação (artigos, patentes, drones, robótica e agricultura de precisão); ampliar o número de pesquisadores, direta ou indiretamente envolvidos nas pesquisas; e aumentar a visibilidade do IF Goiano na comunidade local, nacional e internacional.

O secretário de Ciência, Desenvolvimento e Inovação, Márcio César Pereira, entende que o Centro será mais um investimento do Governo de Goiás em tecnologia para facilitar a vida das pessoas. “Com o Ceagre serão desenvolvidas pesquisas com foco em inovação, gerando soluções tecnológicas que vão aumentar a produtividade do agronegócio, tornando-o ainda mais competitivo. Além disso, reforça o nosso ecossistema de inovação, que terá mais um espaço para mostrar, com resultados práticos, a importância da tecnologia”.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Antônio Carlos de Souza, avalia que o Ceagre será um marco na história de Goiás. “Acreditamos e apostamos no avanço da tecnologia dentro da propriedade rural e a convicção que temos é que, com a experiência de vários profissionais envolvidos trabalhando num propósito de promover e transformar toda a ciência desenvolvida na implementação de tecnologias ao alcance dos produtores rurais será diretamente um importante resultado alcançado por esse projeto liderado pela Fapeg e IF goiano, comandado pela Sedi e apoiado pela Seapa. Temos uma aposta imensa em todos os resultados que virão pela frente e a crença de que o Centro certamente possibilitará, ainda mais, o crescimento e o desenvolvimento do agronegócio no estado de Goiás”.

Assessoria de Comunicação da Fapeg

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