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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Coronavírus: por que não há casos registrados no Turcomenistão


Enquanto diversos países impuseram restrições e quarentena à população, a vida continua normalmente em um dos regimes mais autoritários do mundo.

"O ditador do país proíbe o uso da palavra "Coronavírus"

Da BBC News
Embora o mapa que mostra o alcance do coronavírus no mundo esteja cada vez mais coberto por círculos vermelhos, vários países ainda não registraram casos de infecção.

Um desses países é um dos mais repressivos do mundo — o Turcomenistão. Especialistas estão preocupados com a possibilidade de que o governo possa estar escondendo a verdade, o que poderia atrapalhar as tentativas de conter a pandemia.

Enquanto o mundo luta contra o coronavírus e cada vez mais países impõem restrições a suas populações, o Turcomenistão realizou uma pedalada para marcar o Dia Mundial da Saúde no último dia 7.

O país da Ásia Central ainda alega ter zero casos de coronavírus. Mas podemos confiar nos números fornecidos por um governo conhecido pela censura?

"As estatísticas oficiais de saúde do Turcomenistão não são confiáveis", diz o professor Martin McKee, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, que estudou o sistema de saúde do Turcomenistão.

Muitos no Turcomenistão têm medo de insinuar que o vírus já pode estar no país.

"Um conhecido que trabalha em uma agência estatal me disse que eu não deveria dizer que o vírus está aqui ou que ouvi falar dele, caso contrário, posso ter problemas", disse à BBC um morador da capital Ashgabat, que pediu para permanecer anônimo.

Fronteiras fechadas
As autoridades turcomenas estão, no entanto, trabalhando para combater um possível surto e discutindo um plano de ação com as agências da ONU no país.

A coordenadora residente da ONU, Elena Panova, disse à BBC que esse plano incluía coordenação em nível nacional, comunicação de riscos, investigação de casos, diagnóstico de laboratório e outras medidas.

Quando questionada sobre se a ONU confiava nos números oficiais que mostravam que o Turcomenistão não tinha casos confirmados, Panova evitou dar uma resposta direta.

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