Esporte

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Jataí pode ter a presença de mais uma grande indústria

NUTRIEN planeja investimento de US$ 1 bilhão no Brasil até 2024






Meta é crescer em distribuição com projeção de ter 100 lojas até o fim de 2022

Maior produtora de fertilizantes do mundo, a multinacional canadense Nutrien deu o pontapé inicial na estratégia para se tornar a maior distribuidora de insumos agrícolas do Brasil em cinco anos.

Anunciada no início de janeiro, a compra da paulista Agrosema Comercial Agrícola, que fatura cerca de US$ 60 milhões ao ano, marcou o primeiro passo da ofensiva, que se intensificará ao longo de 2020.

O movimento de aquisições integra o pacote de US$ 1 bilhão que a companhia canadense irá investir no país nos próximos cinco anos.

Sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a compra da Agrosema agregará 12 lojas de insumos à Nutrien, que já tinha sete no país, em um esforço para construir o que André Dias, vice-presidente de operações e diretor financeiro da Nutrien no Brasil, chamou de “espinha dorsal” da distribuição da empresa no Brasil. A ambição do grupo é ter 100 lojas até o fim de 2022.

O executivo, que fez carreira na Monsanto, onde foi presidente para o Brasil, também tem passagens por Syngenta Seeds e Nidera Seeds, vendida à chinesa Cofco em 2018.

Se no Brasil ainda é mais conhecida pela relevância na produção de fertilizantes, sobretudo potássio, o foco da Nutrien em distribuição não é uma novidade.

Do faturamento anual de US$ 18 bilhões, metade é gerado no varejo de insumos. Nos Estados Unidos, o grupo tem 1,2 mil lojas e participação de 30% de um mercado de distribuição de insumos de US$ 40 bilhões.

No território brasileiro, onde ainda conta com pouca relevância, a Nutrien aposta num modelo que associa a proximidade geográfica entre misturadoras de fertilizantes e revendas de insumos para virar líder nacional.

Hoje, além de uma fábrica de fertilizantes especiais em Ribeirão Preto (SP), a companhia tem uma misturadora em operação em Itapetininga (SP), está prestes a inaugurar outra em Araxá (MG) e iniciou a construção da terceira em Cristalina (GO).

No médio prazo, a Nutrien quer replicar a estratégia logística aplicada nos EUA, onde conta com 15 mil veículos e centros de distribuição.

A empresa também não descarta o lançamento de um ‘marketplace’ de insumos como o que mantém em terras americanas. Atualmente, o aplicativo da empresa nos EUA responde por quase 50% das vendas da Nutrien.

“Queremos nos tornar líderes no Brasil, o que significa faturar alguns bilhões de reais por ano”, disse Dias, sem arriscar um percentual de participação que, certamente, será inferior aos 30% nos EUA, de acordo com ele.

Isso porque, no Brasil, em torno de 55% do mercado de US$ 30 bilhões está nas mãos de cooperativas e da indústria, que vendem defensivos diretamente aos produtores. O restante é de médias e pequenas revendas, com perfil semelhante ao da Agrosema e que, portanto, estão no radar da estratégia de expansão da empresa canadense.

“O que vimos na Agrosema foi uma empresa muito bem gerida, com boa aproximação com seus clientes, profundo conhecimento do mercado e bom relacionamento com a indústria. Uma empresa forte na distribuição e basicamente com ativos intangíveis”, resumiu, uma vez que a maior parte dos imóveis das suas lojas é alugado.

Para expandir as operações, alvos mais próximos das regiões nas quais a Nutrien já atua são prioridade.

“Vamos crescer de onde estamos, São Paulo e sul de Minas, para áreas adjacentes”, afirmou Dias.

Conforme o executivo, as lojas Nutrien Ag Solutions têm como foco atender produtores de médio porte, com áreas entre 100 hectares a 3 mil hectares, e que buscam também ofertas de serviços agronômicos e logística.

Nas prateleiras, além de fertilizantes, a Nutrien planeja oferecer defensivos e sementes proprietários e de concorrentes, disse Dias. Na área de serviços, a ideia é fazer parcerias com startups no Brasil.

Nos EUA, a empresa foi além e adquiriu, em 2018, a agtech Agrible, de monitoramento de lavouras e recomendação agronômica, por US$ 63 milhões. Em 2019, foi a vez da Waypoint, de análise de solos.

Enquanto estrutura a área de distribuição no Brasil, a Nutrien sofre com os efeitos da queda nos preços dos fertilizantes, especialmente no mercado dos Estados Unidos.

Para tentar equilibrar a balança, a própria Nutrien, maior produtora mundial de potássio, suspendeu temporariamente a exploração de três minas no Canadá.

Fonte – BVMI – Marina Salles

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