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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Economia goiana e a desindustrialização do Estado

“Vamos passar por período gigante de desindustrialização”, diz Mabel ao rechaçar proposta de Aidar

Por Lívia Barbosa 
Parlamentar apresentou projeto que revoga incentivos fiscais para setor sucroenergético; Representante do governo diz que Caiado não vai deixar que haja  desindustrialização de Goiás e busca diálogo

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, pediu a total rejeição ao projeto em tramitação na Assembleia Legislativa do estado de Goiás (Alego) que acaba com crédito outorgado do etanol anidro. Mabel participa no dia de hoje momento da audiência pública que discute os incentivos fiscais do setor sucroenergético em Goiás. O representante do governo estadual, Donovan Moreira, por sua vez, afirmou ainda que o governador Ronaldo Caiado (DEM) não vai deixar que haja a desindustrialização de Goiás.

Para o presidente da Fieg, o projeto que busca acabar com os incentivos de álcool anidro vai desindustrializar o Estado. “Goiás está perdendo a confiabilidade jurídica, os empresários não querem mais investir no país. Vamos passar por um período gigante de desindustrialização do Estado”, sustentou.

O projeto em questão foi apresentado pelo deputado estadual Humberto Aidar (MDB)  e revoga integralmente o M. 3°da Lei n. 13.245 de 13 de janeiro de 1098, que introduz alterações nas Leis n. 11,180, de 19 de abril de 1990, e 11.660, de 27 de dezembro de 1901, que concede crédito outorgado ao setor sucroalcooleiro.

O superintendente de Produção Rural Sustentável da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Donalvam Moreira da Costa disse que o Estado não será desindustrializado. “Com o aumento de produtividade não podemos olhar apenas produção. Após análises das quais participamos, observamos que não temos que ter apenas os incentivos fiscais como atrativos. Estamos aqui hoje para ouvir e colocar o governo do Estado à disposição. Não estamos aqui para ficar chorando os problemas financeiros do governo, mas precisamos analisar bem a situação”, disse.

A audiência, promovida pelo deputado Henrique Arantes, é uma resposta do setor produtivo ao Projeto de Lei que está em tramitação no legislativo goiano que afetará toda a cadeia produtiva e também o consumidor de combustíveis. Segundo o parlamentar, há risco inclusive para os empregos existentes e prejuízo a novos investimentos no setor em Goiás.

O setor afirma que, em Goiás, as usinas movimentam uma extensa cadeia produtiva com fornecedores de cana-de-açúcar, de insumos, de máquinas e implementos agrícolas, entre outros. Tudo isso mobiliza a economia local e regional, além de contribuir para que o preço dos produtos produzidos pelas usinas seja menor no Estado, favorecendo a população.

Um estudo da Markestrat /USP mostra que entre os anos de 2015 a 2018, vinte quatro usinas goianas pagaram mais de R$ 6,1 bilhões em salários, com R$ 1,2 bilhão adicionais em benefícios concedidos, totalizando mais de R$ 7,3 bilhões. Em 2018, a folha de pagamento das usinas foi de aproximadamente R$ 1.866.051.777,12. Além disso, no ano passado, as usinas pagaram mais de R$ 2.015.343.498,46 a parceiros e fornecedores agrícolas.

Também estão presentes, o presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar, André Rocha, representantes de entidades, deputados estaduais, além de cerca de 500 trabalhadores de toda a cadeia produtiva de etanol, açúcar e bioeletricidade de Goiás. Marcam presença também oito prefeitos de municípios nos quais estão instaladas usinas.

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