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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Reitor da UFG diz que apresentação do MEC ainda não os convenceu a aderir ao Future-se

Após dois dias de apresentação do programa pelo ministério, Edward afirma que há “conjunto de ideias e medidas ainda não fundamentadas”

Por Luiz Phillipe Araújo // JN com Opção
Após dois dias de reunião entre reitores e o Ministério da Educação (MEC), que tratou sobre a apresentação do programa Future-se, o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, afirmou nesta quarta-feira, 17, que ainda não é possível fazer um diagnóstico da proposta.

Segundo o reitor, não houve nenhum nível de detalhamento que permita fazer uma avaliação, mas vê com estranheza alguns pontos propostos pelo ministério. Em entrevista ao Jornal Opção, Edward cita que há no bojo do programa algumas propostas que implicariam em mudanças substanciais da Legislação. “Tem um conjunto de ideias e medidas absolutamente ainda não fundamentadas “, considera.

O Ministério estabelece três eixos para o programa, sendo eles: gestão e empreendedorismo, pesquisa e inovação e internacionalização. Sobre o primeiro dos itens, um dos mais polêmicos, que envolve captação de recursos junto à iniciativa privada, o reitor afirma que já há nas universidades essa prática. Entretanto, não são todas as unidades que conseguem desenvolver captação, a depender da área de atuação. Além disso, o reitor cita que há na legislação limites de captação.

“Captar recursos é importante, ajuda de maneira complementar, mas em momento nenhum é possível substituir aquilo que é básico da universidade: água, energia e segurança”, considera o reitor.

De acordo com o gestor, a maior parte de recursos captados são utilizados nos próprios projetos, gastos que vão desde a compra de insumos até com quem atua neles. Edward afirma: “É preciso entender que a captação tem a finalidade de contribuir, mas não substitui o financiamento público”.

O programa
No resumo do projeto encaminhado à imprensa, o MEC afirma que a partir dos três eixos estabelecidos a pretensão é o “fortalecimento da autonomia financeira”. Já no detalhamento, ainda resumido, o ministério trás tópicos de que forma cada item deve ser atingido.

No primeiro eixo, a proposta estabelece critérios como “gestão imobiliária”, a partir de “cessão de uso, concessão, comodato, fundo de investimento imobiliário e parcerias público-privadas”. Além de “naming rights em campi e edifícios” a partir da “possibilidade de manutenção e modernização dos equipamentos com apoio do setor privado”.

Confira proposta completa

No segundo item: Pesquisa e Inovação, o programa estabelece “premiação”, sendo previsto “prêmio para os principais projetos inovadores” e “parcerias”, a partir da “alavancagem de recursos privados para inovação por meio de projetos de P&D”.

O terceiro e último item inclui a promoção da atividade de “professores renomados”, com “aulas presenciais e à distância com professores laureados com o Prêmio Nobel”, além de um programa de idiomas, com “ Parcerias com instituições privadas para promover a publicação em periódicos no exterior, substituindo o Idiomas sem Fronteiras”.

Também ao Jornal Opção, o presidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg), professor Flávio Alves da Silva, afirmou que em sua análise o projeto apresentado pelo MEC “nada mais é do que uma privatização”


Foto:  Pórtico da sede UFG/UFJ em Jataí-GO
Adesão da UFG
Antes mesmo da apresentação aos reitores, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, adiantou em uma rede social que a adesão ao programa Future-se será opcional, mas disse que será uma forma de separar “joio do trigo”, sem aprofundar o significado da expressão.

Sobre a adesão da Federal de Goiás, Edward reforça ser muito cedo para afirmar qual será o resultado da análise. Segundo o reitor, a Associação Nacional Dos Dirigentes Das Instituições Federais De Ensino Superior (Andifes), da qual é vice-presidente, se dedicará nos próximos meses a entender os detalhes da proposta.

“Nenhuma universidade tem a menor capacidade de afirmar se vai aderir. E só irá aderir se observar que está de acordo com o programa e ideias de desenvolvimento de cada universidade. Mas, por ora, nenhum dirigente tem elementos para responder sobre a adesão com segurança”, considera o gestor.

O reitor finaliza considerando que três eixos principais foram firmados como garantia entre ministério e reitores: gratuidade, manutenção das carreiras e a natureza jurídica, que garante autonomia de cada Instituição Federal de Ensino (IFE).

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