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terça-feira, 21 de maio de 2019

UFG/UFJ - Reitor teme pelo funcionamento da universidade no 2º semestre

Reitor da UFG, Edward Madureira, diz que, neste semestre, já houve contingenciamento

Por Francisco Costa 
Docente afirma que governo trava guerra ideológica com as universidades que é despropositada

O reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira, participou nesta segunda, 20, de um encontro com a bancada dos deputados federais goianos e reitores do Instituto Federal de Goiás (IFG) e do Instituto Federal Goiano (IF Goiano). Segundo o docente, a ocasião foi marcada por transparência ao traduzir a realidade das instituições.

“Não estamos distorcendo a realidade”, disse Edward, que teme pelo funcionamento da UFG no segundo semestre. Ele esclareceu que já ocorre um contingenciamento nesses primeiros seis meses do ano, de 20% das verbas discricionárias. Na etapa final do ano, seria, na verdade, um bloqueio de 30% nos recursos, que impediria o acesso até para fazer empenhos.

Bancada
Sobre o sentimento pós-encontro, o reitor da UFG disse que o Congresso pode pressionar bastante, mas não possui instrumentos para reverter uma prerrogativa do Executivo. “Mas o Congresso é ouvido, assim como a gente espera ser ouvido. E a pauta de interesse do governo [reforma da Previdência] está no Congresso”.

Ao ser perguntado se ele acha que o governo federal usa o contingenciamento de 30% como barganha para aprovação da reforma da Previdência, Edward diz que com educação não se pode brincar. “Se isso estiver acontecendo é lamentável” .

O tom de preocupação na fala de Edward dá, por um momento, um espaço de esperança, quando ele cita a atuação do Congresso no tema. Segundo ele, ao menos entre os parlamentares, a educação é uma pauta suprapartidária, que une oposição e situação.

Prioridade
Madureira reconhece que o País vive, de fato, um aperto fiscal. “A economia não deslancha”, emenda. Ainda assim, ele observa que existem áreas menos prioritárias do que a educação para este corte.

Para ele, se esse corte realmente se concretizar, a UFG pode parar. “Há algum tempo já se faz um esforço, com algumas contas do ano anterior sendo pagas no ano subsequente. Mas essa margem já tem sido usada. Um corte adicional vai levar a inadimplência e alguns fornecedores não terão como bancar”.

Ainda sobre essas despesas, o reitor diz que existem limites para que os fornecedores absorvam um atraso. “Alguns desses serviços são essências”, exemplifica ele ao citar a segurança, limpeza e eletricidade.

Guerra ideológica
Outro ponto observado por Edward é que, na raiz de todo esse debate, existe um erro de avaliação. Ele aponta que o governo trava uma guerra ideológica com as universidades que é despropositada.

“Gostaria muito que essas pessoas nos visitassem, conhecessem nossos estudantes, nossos técnicos e laboratórios para ver se há algum tipo de doutrinação”. O catedrático afirma que todos os concursos nos institutos federais são acompanhados rigorosamente pelo Ministério Público.

Além disso, ele ressalta que existe pluralidade. “Temos pessoas de todas as matizes ideológicas. Pessoas com pensamento anarquista, de centro, conservador, moderado de extrema direita e extrema esquerda… Esse é o mundo da universidade”.

Com a citada guerra ideológica, Madureira pontua que o País perde ao não oportunizar a atuação de pessoas com capacidade intelectual. “Pessoas que esperam um chamado para contribuir no desenvolvimento do País; pessoas que ficam felizes quando conseguem mais trabalhos em projetos de conhecimento. Pessoas movidas por idealismo da construção do saber, não da ideologia”, finaliza.

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