Sonho de Natal

Viva intensamente esse Sonho de Natal 

Legislativo Jataiense

Câmara Municipal de Jataí

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Caos na saúde pública é crônica também no Tocantins

Bebês morrem em Palmas por falta de médicos especializados

Por Dock Júnior/JN e Opção
Recém-nascidos com malformação no coração precisam ser transferidos para outros Estados

A falta de profissionais médicos especializados em cirurgias cardiopediátricas tem levado a calamidades e mortes de bebês no Tocantins. Nenhum hospital público do Estado realiza tais cirurgias e os bebês, que nascem com malformação no coração, precisam ser transferidos para outros Estados.

Em entrevista ao G1, o superintendente assuntos jurídicos da Saúde Marcus Senna disse que esses profissionais são raros. “A médio prazo esperamos obter uma solução, uma pactuação com o município de Araguaína para fazermos cirurgias dentro do hospital municipal”, afirmou ao portal.

Em 2018, segundo dados da SES, mais de 100 bebês que nasceram no Tocantins foram transferidos para outros Estados. Em 1/3 dos casos a transferência ocorreu após intervenção judicial. Aproximadamente 20 pacientes recém-nascidos morreram à espera de cirurgia no coração.

“O Estado não está cumprindo nem o dever que a decisão judicial já impôs, que é de credenciar e encaminhar diretamente esse bebês, e muito menos preparando a organização de um serviço aqui”, argumentou o defensor público Arthur Pádua também em entrevista ao G1.

No momento, quatro recém-nascidos estão na lista de espera no Hospital e Maternidade Dona Regina. O bebê, de apenas 7 dias, Luis Otávio, chegou a ser transferido para Goiânia depois de uma decisão judicial, mas não resistiu e faleceu após passar pela intervenção cirúrgica. A síndrome de hipoplasia foi detectada ainda na gestação e o paciente recém-nascido deveria ter passado por cirurgia ainda na barriga da mãe. A família procurou o Ministério Público e a Justiça determinou que o parto do bebê fosse feito e a cirurgia ocorresse em até 24 horas após o nascimento.

Superlotação
Além da falta de médicos especialistas, há superlotação e falta de medicamentos. Uma das piores situações é no Hospital e Maternidade Dona Regina, em Palmas, uma vez que grávidas – prestes a dar à luz – tiveram que voltar para suas casas, em razão da superlotação.

Já no Hospital Infantil de Palmas, referência no atendimento pediátrico, que também recebe pacientes de todo o Estado, pais denunciaram que a unidade chegou a ficar pelo menos 12 horas sem médico. Falha que foi registrada por vários dias consecutivos. Uma médica plantonista chegou a registrar um boletim de ocorrência na delegacia da Capital, denunciando a falta de profissionais para assumir o atendimento, após o fim do seu plantão.

A versão governamental
O governador do Tocantins, Mauro Carlesse (PHS), disse que a superlotação nas unidades de Saúde tem relação com o atendimento de pacientes de outros Estados. “Acumula algumas situações, por exemplo, o Mais Médicos. O Governo [federal] teve uma iniciativa, achou melhor tirar os médicos cubanos e o que aconteceu com isso? Médicos pediram o afastamento deixando uma demanda”, disse ele.

Segundo o governador, os hospitais do Tocantins atendem pessoas que estão sem assistência. “Hoje nós recebemos pacientes do Maranhão, Pará, Mato Grosso. Nós estamos atendendo e queremos o melhor. A população tem que ser atendida”.

Após reconhecer a superlotação, Carlesse informou que haverá ampliação de leitos nas unidades de saúde do Tocantins e prometeu 120 novos leitos no Hospital Geral de Palmas (HGP), além de melhorias nas unidades públicas de Gurupi e Araguaína. 

“O HGP vai colocar mais 120 leitos. Tem mais oito salas de cirurgia para serem inauguradas agora. Gurupi nós estamos ampliando. Araguaína e todos os hospitais da rede pública do Estado estão sendo remodelados para poder atender o povo”, pontuou. Apesar das promessas, o Governo não deu nenhum prazo de quando essas melhorias chegarão até as unidades

Nenhum comentário: