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sexta-feira, 8 de março de 2019

Paralisação de policiais é cogitada, diz presidente da ACS-GO durante Assembleia Geral

PMs e bombeiros militares realizaram ato contra atraso do salário de dezembro e divisão de pagamento da folha de fevereiro entre ativos e inativos

Da Redação 
“Esse evento é um passo para a paralisação policias e bombeiros militares do Estado”, afirma o presidente Associação de Cabos e Soldados (ACS-GO), sargento Gilberto Cândido, durante assembleia geral realizada nesta quinta-feira, 7, na sede da Associação dos Subtenentes e Sargentos do Estado de Goiás (Assego).

O ato, que levou cerca de mil manifestantes, entre ativos e inativos, até a Praça Cívica, foi organizado pela Associação dos Oficiais de Goiás (Assof), Assego, ACS-GO, para manifestar indignação sobre a divisão do salário dos agentes atuantes e aposentados e pensionistas e, também, do não pagamento da folha salarial de dezembro.

“Temos respeito pela nossa sociedade, mas se permanecer assim, pode acontecer [paralisação]”, reforça sargento Gilberto, que exclama que não será aceita discriminação entre ativos e inativos. “Queremos isonomia, tratamento igual para todos. Aqueles que se aposentaram já deram sua contribuição”, disse.

Mal estar

Juarez Dias Pereira é soldado aposentado. Não recebeu o salário de fevereiro, nem o de dezembro. Indignado com a situação, ele afirma que, um dia, todos “virão para o nosso time [reserva]. Trabalhamos tanto e eles vêm fazer isso com a gente? Desrespeito”.

Para o sargento Wesley Davi, militar ativo do Corpo de Bombeiros, a situação é constrangedora para aqueles que não estão aposentados. “Também gera certo medo, pois nunca aconteceu antes. Quando paga os ativos, paga também os inativos e os pensionistas”, completou.

Sobre um possível erro que originou a divisão, o bombeiro diz que não acredita. “É uma coisa muito rotineira na secretaria da Fazenda (hoje, Economia). Sempre pagaram corretamente.”

Marco histórico

Para o presidente da Assego, subtenente Luis Cláudio Coelho, essa assembleia é um marco histórico. Segundo ele, esse ato demonstra grande participação da classe, de praças a coronéis, e explicita que as entidades representativas estão no caminho certo. “Representados demonstram total confiança para continuarmos a luta”, sublinhou.

Também segundo ele, é desejo das entidades que o Governo respeite os direitos da categoria, com o pagamento do salário de dezembro e, acima de tudo, sem a divisão de inativos e ativos. “Somos um só corpo.”

Decisão política

Coronel Anésio Júnior, presidente da Assof, disse que o não pagamento do salário de dezembro é decisão política. Segundo ele, foi uma escolha feita pela equipe econômica, por meio da secretária Cristiane Schmidt, “que conduziu o governador Ronaldo Caiado (DEM) ao erro”.

“Inadmissível quebrar a ordem cronológica. Foi uma decisão política, tomada unilateralmente. Partiu diretamente do Governo.”

Para ele, houve inabilidade da secretária. “Levou o governador a tomar essa, como única alternativa, sendo que havia outras que seriam, no mínimo, mais justas e convenientes”, diz o coronel ao lembrar que alguns servidores receberam aquele mês em dia.

A expectativa do presidente da Assof é que o Governo se sensibilize com toda a mobilização a atenda às necessidades dos servidores. “Nós compreendemos a situação econômica do Estado, as dificuldades, mas entendemos, também, que os salários são imprescindíveis para a garantia da dignidade do militar estadual, ativo e inativo”, pontua, ainda, sobre a questão da divisão dos pagamentos.

“Não podemos permitir que o tratamento não seja isonômico. Continuamos a pertencer às instituições até o fim de nossas vidas”, faz a referência a possibilidade de chamamentos.

Secretaria de economia

Para comentar as afirmativas do coronel Anésio, o Jornal Opção tentou contato com a assessoria de comunicação da secretária estadual de Economia, Cristiane Schmidt. Até a publicação deste texto, não obtivemos uma resposta.

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