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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Políticos repudiam atuação da Enel em Goiás

Vice-governador eleito afirma que Caiado deverá rever os benefícios do contrato

Por Felipe Cardoso/Opção
Dentre as últimas decisões tomadas pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB) na reta final de seu mandato está a venda da maior estatal do Estado. Em fevereiro de 2017, o tucano recebeu a visita do presidente Enel no Brasil — empresa italiana que atua na geração e distribuição de energia elétrica —, Carlo Zorzoli, e do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, que juntos assinaram o contrato de privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg).

A canetada resultou no depósito de R$ 1,1 bilhão nos cofres do Estado. Dinheiro que, segundo o até então governador, seria aplicado no aperfeiçoamento da infraestrutura goiana. O restante, equivalente a R$ 1,06 bilhão, foi destinado à Eletrobras, que possuía a maior parte das ações da estatal, 50,93%, especificamente.

O contrato de compra e venda foi assinado sob chuva de incentivos e críticas por parte dos goianos. De um lado, apoiadores reforçavam a tese de que somente essa medida seria capaz de salvar o declínio da estatal, bem como fornecer os investimentos que ela tanto precisava. Do outro, opositores lamentavam a perda da empresa para o capital privado, o baixo custo ao qual foi entregue e, sobretudo, as especulações acerca dos interesses particulares que poderiam estar por trás da decisão.

Papo vai, papo vem e o governo tomou sua decisão: acabou por vender aquela que era considerada a mina de ouro do Estado. Com o negócio, os novos proprietários da companhia se comprometeram a realizar investimentos em tecnologia para melhorar os serviços prestados aos goianos.

Assim que a possível privatização da estatal foi colocada em pauta, o então senador da República Ronaldo Caiado (DEM) se posicionou contrário à ideia. De lá para cá, a empresa foi vendida e Caiado anunciou sua candidatura ao governo do Estado de Goiás. Acontece que, durante o período de campanha, o democrata não colocou em cheque como seria tratada a situação da Enel durante seu governo caso viesse a ser eleito.

O único a tocar fervorosamente no assunto foi o candidato Weslei Garcia (PSOL) que, durante o mesmo período, se comprometeu a trabalhar para recuperar a propriedade do Estado. Em entrevista à Rádio Sagres 730, o candidato afirmou que há indícios de irregularidades na venda da Celg. “Vamos investigar e, se isso se confirmar, reestatizar a empresa”, declarou.  

Ronaldo Caiado foi eleito no primeiro turno com 59,73% dos votos. Desde então, não se pronunciou sobre a situação da Enel. Isso deixou uma brecha de interpretações em relação a postura do novo governador durante os próximos quatro anos de mandato. Porém, diversos integrantes de sua base repudiam a atuação da empresa italiana, o que leva a crer que Caiado tende a trabalhar no mesmo sentido de seus aliados.

Ao que tudo indica, apesar da privatização, os reflexos positivos ainda não apareceram. Por sua vez, a sociedade continua a manifestar as mesmas queixas em relação às deficiências da distribuição de energia no Estado. Porém, com uma única diferença: de maneira ainda mais recorrente. No meio político não tem sido diferente e os serviços prestados pela Enel são fortemente criticados.

“A energia vem aumentando de forma desenfreada e a contrapartida da empresa infelizmente não está acontecendo. Se a qualidade do serviço acompanhasse o aumento do preço, talvez o cidadão até estaria disposto a pagar por isso, mas temos regiões no Estado em condições catastróficas. […] Não estamos falando apenas de energia nas casas, estamos falando de energia que gera emprego e produção para Goiás”, afirmou o vice-governador eleito, Lincoln Tejota (Pros).

O parlamentar reforça também a necessidade de verificar se o contrato estabelecido realmente representa um benefício para Goiás. “É isso que o governador pretende fazer, tendo em vista que ainda há muitas reclamações por parte dos usuários desse serviço.” Para Lincoln, o caminho é verificar se existe um lastro legal para essa discussão. “Vamos averiguar tudo o que foi feito e, se houver espaço, poderemos rever as decisões tomadas. Nem tudo o que foi definido deve permanecer, obrigatoriamente, inalterável.”  Leia mais/Opção
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