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Projeto Sonho de Natal 2018




quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Senta que la vem mais história

Por DC Mello
Na primeira metade do século XIX, os primeiros exploradores da região do Rio Claro dos Pasmados (assim era chamado o Rio Claro) encontraram aqui um ecossistema inexplorado e riquíssimo de matéria prima necessária à sua ocupação. Os homens chegaram devagar, cada um se apoderando de um pedaço de terra. Nenhum deles, no entanto, sabia da extensão das áreas de cultura, dos campos de criar, das matas para o plantio de roças. Notaram, sim, abundantes matas formadas de arvoredos muito altos das mais variadas espécies.

Depois de escolher seu canto onde morar, descobriu-se que as madeiras existentes eram de altíssima qualidade para serviços de carpintaria. Era tudo que eles precisavam naquele momento. Até então, não era necessária licença para derrubadas e transporte de madeira bruta. Essa chegava à obra em carretões movido a boi e era trabalhada toscamente no local com machado, enxó e gurpiões.

Historicamente, entre tantas variedades ocorrendo em determinados tipos de terreno, a peroba-rosa, também chamada de peroba-amargosa, passou a ser objeto de atenção dos fazendeiros que possuíam matas com a presença delas. Na metade da década de 1950 as serrarias instaladas na cidade - e mesmo nas fazendas - começaram a industrialização da peroba-rosa vendida em forma de vigotas, caibros, tábuas e ripas, para construção de casas, serviços de carpintaria e marcenaria em geral.

A peroba-rosa, árvore genuinamente brasileira, de desenvolvimento lento, chega a atingir 30 metros de altura, quase sempre com tronco ereto, o que lhe confere excelente aproveitamento na serragem.

Ainda, com relação aos anos de 1950, com o advento da construção de Brasília, as grandes empreiteiras dos edifícios da nova capital descobriram haver no município de Jataí reservas que se imaginavam inesgotáveis. Sabiam eles que a peroba-rosa era madeira ideal para formas de concreto e escoramento; macia para serrar, aceitava prego sem rachar, e, se conservada à sombra, pouco empenava. Dessa forma, a indústria madeireira de Jataí se armou para atender a nova e futurosa demanda. Da noite para o dia a economia de Jataí passou a respirar dinheiro. Caminhões e mais caminhões descarregavam nos pátios das serrarias grossas toras de peroba as quais eram imediatamente transformadas em madeira serrada.

Por falta de legislação específica na época, pela cegueira das autoridades de então, consentindo ingenuamente a dizimação dos perobais do município, apenas por questões financeiras, lamentavelmente essa prática incluiu essa madeira no rol das espécies em extinção, pelo menos na região de Jataí. Hoje, quem ainda possui alguns exemplares, os conservam a sete chaves, longe dos olhos dos machados, dos predadores.

Além das serrarias em atividade nas fazendas, serrando quase 24 horas por dia para atender a demanda, havia ainda empresas na cidade, equipadas com maquinário moderno, preparando cargas e mais cargas de peroba destinadas a Brasília. A facilidade no manejo de pesadas toras, manipuladas com máquinas mais sofisticadas possibilitava uma produção capaz de atender a demanda de então. Em Jataí se fazia da peroba-rosa janelas, venezianas, portas e portais, tacos para piso. Tudo isso era conduzido para Brasília. Aquele movimento febril de exportação da peroba-rosa industrializada, ao longo de quase três anos, trouxe dinheiro aos empresários, mas também praticamente acabou com as maiores reservas de peroba do município.
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