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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Texto homofóbico causa demissão de professor em Goiás

Professor de medicina demitido por prova com teor homofóbico em Goiás pede desculpas e vê caso como 'mal-entendido'
Docente assume responsabilidade por questão e reafirma que não tem preconceito contra homossexuais. Questão diz que 'noivo serelepe' de paciente furou abscesso na nádega 'em movimento rodopiante de bailarino'.

Por Sílvio Túlio, G1 GO
O professor de medicina Antônio Moraes Filho, demitido após elaborar uma prova com teor homofóbico, pediu desculpas pelo ocorrido e tratou o caso como um "mal-entendido". O desligamento da Universidade de Rio Verde (UniRV), no sudoeste de Goiás, ocorreu após denúncias de alunos. Após alegar que a inserção da questão foi um erro de sua secretária, o docente voltou atrás e disse que o erro foi seu.

"A responsabilidade da questão estar na prova foi minha. Mas a questão não é de minha autoria, foi selecionada de um banco de dados na internet. Acabou que eu ignorei a checagem da questão do email antes de enviar para a faculdade. Peço desculpas pelo transtorno que eu gerei, a responsabilidade do transtorno é minha, mas ele não foi intencional. Foi um mal-entendido. Mas isso não justifica e não transfere a responsabilidade de ninguém", afirma.

A prova foi aplicada para os 67 alunos do 5º período de medicina na disciplina de clínica cirúrgica. O enunciado da questão afirma que o paciente Davi, de 24 anos, estava com abscesso na nádega "e seu noivo serelepe, ao ver aquele quadro horroroso, ficou tresloucado e furou o abscesso com espinho de limoeiro em um movimento rodopiante de bailarino, imitando um beija-flor".

O professor, que já havia dito não ter visto "nenhum tipo de preconceito na questão", dava aulas na instituição havia três anos e meio. Ele reafirmou que não tem preconceito contra homossexuais.

"Quero deixar claro que não sou preconceituoso ou homofóbico, não tenho nada na minha história pessoal ou profissional que me desabone em relação a isso", frisa.

Demissão
Apesar das explicações, a UniRV optou por desligar o professor de suas funções. O pró-reitor de Administração e Planejamento da universidade, Alberto Barella Netto, destacou que nada justifica sua atitude.

"A autonomia de sala de aula é do professor responsável pela disciplina. Então a responsabilidade é apenas do professor por isso que tomamos essa providência de uma punição máxima que foi a exoneração dele", pontua.

Alunos do curso foram quem denunciaram a situação. Para um deles, que prefere não se identificar, o docente foi homofóbico. "Um professor, ao elaborar uma questão desse cunho, não tem que criar nenhum tipo de discriminação, independentemente da orientação sexual da pessoa", pondera.

A exoneração aconteceu na quarta-feira (27) e foi assinada pelo reitor da instituição, Sebastião Lázaro Pereira. Na nota em que informa o desligamento, a UniRV afirmou ainda que "repudia veemente a atitude do professor e destaca que esse comportamento isolado não reflete o pensamento da instituição".

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