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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Memórias - Velha rodoviária de Jataí que deixou saudades

Por Gideone Rosa 
Com meus 12 anos já estava na batalha para conquistar meu dinheiro neste lugar, engraxando sapatos. Lá pelos idos anos de 1970 e alguma coisa.

Me levantava entre 4 e 5 da matina, pegava minha caixa de engraxate e minha cadeira, me encontrava com meu amigo "Neguinho" e juntos íamos para a Rodoviária, essa rodoviária da foto. Sim, tão cedo para pegarmos os melhores lugares pois a concorrência por esses lugares era acirrada. Nesse tempo morávamos na Vila Campo Neutro e não tinha a violência que tem hoje. Asfalto? Também não tinha. A iluminação pública tinha acabado de ser inaugurada. Se não me engano o governador era o Irapuã Costa Júnior.

Muitas foram as vezes que engraxei os sapatos do Zé Mojolinho. Ele gostava do meu trabalho pois eu era caprichoso e não o perturbava devido suas manias. Uma dessas manias do Zé era andar com um vidro com álcool no bolso do terno de linho, pois toda vez que alguém tocava suas mãos imediatamente ele passava o álcool. Outro personagem era um senhor de idade avançada e cego, era o ceguinho, aquele que vivia pedindo ajuda aos passageiros e usava a rima quando queria algum dinheiro, do tipo, "você que ta indo para o Caçu me dá um tutu". Era hilário as rimas que usava.

 Alem da rodoviária tinha do lado de cima o ponto de taxis com o  Sr. Roldão e seu taxi de cor verde. Não me lembro qual a marca do carro dele, só sei que era um carro daqueles antigos muito parecido com alguns  que até hoje ainda rodam pelas ruas de Havana em Cuba. Me lembro bem também do ponto de charretes coladinho com os taxistas. Mais acima o velho Mercado Municipal com seus açougues, restaurante e frutarias. Em um dos boxes das frutarias tinha lá um senhor com deficiências nas mãos, ele não tinha todos os dedos.

A esquina da Av. Brasil com a José Manoel Vilela era o centro nervoso comercial da cidade com os árabes e boa parte de suas lojas por ali também.

Bons tempos, boas lembranças e tristezas por ver tudo descaracterizado. 
Uma pena que nossas memórias estão se acabando, desmoronando, sendo destruídas, demolidas ou desabando...
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